Tendinite no trabalho: pode ser demitido? Guia 2026
Descubra se quem desenvolve tendinite no trabalho pode ser demitido. Entenda os direitos, estabilidade e quando buscar um advogado trabalhista.

A tendinite e o ambiente de trabalho
Você passa horas digitando, operando máquinas ou realizando movimentos repetitivos. De repente, uma dor no pulso ou no ombro aparece. O diagnóstico chega: tendinite. Essa inflamação nos tendões é uma das doenças ocupacionais mais comuns no Brasil.
Segundo dados do INSS, os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) estão entre as principais causas de afastamento. A tendinite é um exemplo clássico. Ela pode surgir em qualquer profissão que exija esforço repetitivo.
Mas a pergunta que não quer calar: se você desenvolver tendinite no trabalho, o empregador pode simplesmente te demitir? A resposta não é simples e depende de vários fatores. Vamos entender cada um deles.
O que a CLT diz sobre doenças ocupacionais?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é clara: o empregador tem o dever de garantir um ambiente seguro e saudável. Se a tendinite for comprovadamente causada ou agravada pelo trabalho, ela é considerada doença ocupacional.
Nesse caso, a doença equipara-se a um acidente de trabalho. Isso significa que o trabalhador adquire direitos especiais. O principal deles é a estabilidade provisória no emprego.
O artigo 118 da Lei nº 8.213/91 determina que o empregado acidentado tem garantia de emprego por 12 meses após o fim do auxílio-doença acidentário. Essa regra vale para quem recebeu o benefício previdenciário B91.
Estabilidade de 12 meses: como funciona?
Se você precisou se afastar por mais de 15 dias e recebeu auxílio-doença acidentário (B91), a estabilidade começa a contar no dia da alta médica. Durante um ano, você não pode ser demitido sem justa causa.
Isso vale mesmo que a empresa queira te mandar embora. A demissão só será possível se houver justa causa comprovada. Caso contrário, a dispensa é considerada nula e você tem direito à reintegração ou indenização.
Importante: a estabilidade não impede que você peça demissão ou seja demitido por justa causa. Mas a empresa não pode te dispensar arbitrariamente por causa da doença.
E se você não se afastou pelo INSS?
Muitos trabalhadores com tendinite não se afastam ou ficam apenas alguns dias em casa. Nesse caso, a estabilidade de 12 meses não se aplica automaticamente. Isso porque ela exige o afastamento superior a 15 dias com benefício previdenciário.
Porém, isso não significa que você pode ser demitido impunemente. Se a tendinite foi adquirida no trabalho, a demissão pode ser considerada discriminatória. A empresa sabe da sua condição e mesmo assim te dispensa? Isso é um ato ilícito.
A Súmula 443 do TST entende que a dispensa de trabalhador com doença grave que gere estigma ou preconceito é presumidamente discriminatória. A tendinite crônica pode se enquadrar nesse entendimento, dependendo do caso concreto.
O que fazer para provar a doença ocupacional?
O primeiro passo é buscar um médico e obter um diagnóstico detalhado. Peça um laudo que relacione a tendinite às atividades do seu trabalho. Guarde todos os exames, receitas e atestados.
Comunique formalmente a empresa sobre a sua condição. Envie um e-mail ou protocolo um documento no RH. Isso cria um registro importante caso você precise comprovar que o empregador sabia do problema.
Se a empresa se recusar a emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), você mesmo pode fazer a comunicação no INSS. A CAT é essencial para garantir seus direitos previdenciários e trabalhistas.
Demissão durante o tratamento: é possível?
Sim, a demissão pode ocorrer, mas com riscos para a empresa. Se você estiver em gozo de auxílio-doença, a demissão é proibida. Durante o afastamento, o contrato de trabalho fica suspenso e a empresa não pode te dispensar.
Se você estiver trabalhando normalmente, mesmo com dor, a empresa pode tentar te demitir. Mas, como vimos, se houver nexo causal entre a tendinite e o trabalho, a demissão pode ser anulada na Justiça.
Nesse cenário, você pode pedir a reintegração ao emprego ou uma indenização substitutiva. O valor da indenização costuma corresponder aos salários do período de estabilidade que você teria direito.
Quando procurar um advogado trabalhista?
Se você foi demitido após desenvolver tendinite no trabalho, o ideal é buscar orientação jurídica o quanto antes. Um profissional especializado vai analisar seu caso e verificar se houve irregularidade.
O advogado pode ajudar a comprovar o nexo causal, solicitar a reintegração ou calcular a indenização devida. Não tente resolver sozinho, pois a empresa tem equipe jurídica preparada.
Se você está em advogado trabalhista em Alagoas pode encontrar profissionais prontos para atender sua demanda. Cada estado tem particularidades na Justiça do Trabalho.
Direitos além da estabilidade
Além da estabilidade, você pode ter direito a outros benefícios. O principal é o auxílio-doença acidentário, pago pelo INSS enquanto você estiver incapacitado. Esse benefício não exige carência e é mais vantajoso que o auxílio-doença comum.
Você também pode solicitar o adicional de insalubridade ou periculosidade, se a atividade de risco for a causa da tendinite. Em alguns casos, é possível pedir indenização por danos morais e materiais contra a empresa.
- Auxílio-doença acidentário (B91): pago pelo INSS, garante estabilidade de 12 meses após a alta.
- Indenização por danos morais: se a empresa não forneceu EPIs ou condições adequadas de trabalho.
- Reintegração ao emprego: se a demissão for considerada discriminatória ou nula.
- Adicional de insalubridade: se a atividade expõe o trabalhador a riscos ergonômicos.
Como prevenir a tendinite no trabalho?
A prevenção é sempre o melhor caminho. A empresa é obrigada a fornecer equipamentos ergonômicos e pausas para descanso. O trabalhador também pode adotar hábitos saudáveis, como alongamentos e postura correta.
Se você já sente dores, não espere piorar. Comunique ao RH e ao médico do trabalho. Quanto mais cedo o problema for diagnosticado, maiores as chances de tratamento eficaz e de evitar o afastamento prolongado.
Lembre-se: sua saúde vem em primeiro lugar. O trabalho não pode destruir seu corpo. Conhecer seus direitos é o primeiro passo para se proteger.
Conclusão: o que fazer agora?
Se você tem tendinite e está preocupado com uma possível demissão, não entre em pânico. Reúna todos os documentos médicos, comunique a empresa e, se necessário, procure um advogado trabalhista.
A legislação brasileira protege o trabalhador com doença ocupacional. A estabilidade de 12 meses é um direito importante, mas não o único. Em caso de demissão injusta, a Justiça do Trabalho pode garantir sua reintegração ou indenização.
Não deixe de buscar ajuda profissional. Cada caso é único e merece análise cuidadosa. Com informação e orientação correta, você pode defender seus direitos e garantir seu futuro profissional.
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