Tendinite no trabalho: posso ser demitida? Guia 2026
Tire suas dúvidas sobre demissão durante tratamento de tendinite ocupacional. Veja seus direitos trabalhistas, estabilidade provisória e como agir se sofrer dispensa.

Você está no meio de um tratamento de tendinite, com atestados e exames nas mãos, e de repente recebe a notícia: a empresa quer te demitir. O coração acelera, a dúvida aperta. Afinal, pegar tendinite no trabalho pode render uma demissão por justa causa? Ou você tem direito a ficar no emprego até se recuperar?
Essa é uma das perguntas mais comuns nos consultórios jurídicos trabalhistas brasileiros. A resposta, porém, não é simples: depende de vários fatores, como a comprovação do nexo causal, o tempo de afastamento e a conduta do empregador. Vamos descomplicar esse labirinto legal.
O que a CLT diz sobre doenças ocupacionais?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu artigo 118, garante estabilidade provisória de 12 meses para o empregado que sofreu acidente de trabalho ou adquiriu doença ocupacional. A tendinite é considerada uma doença ocupacional quando comprovadamente ligada às atividades profissionais.
Mas atenção: a estabilidade só começa a valer após o fim do auxílio-doença acidentário (B91), pago pelo INSS. Se você nunca se afastou pelo INSS, a empresa pode, em tese, te demitir — mas com riscos altos de ser condenada na Justiça.
Tendinite é considerada doença do trabalho?
Sim, desde que haja nexo técnico epidemiológico (NTEP) ou laudo médico que vincule a lesão às suas funções. A tendinite é uma das LER (Lesões por Esforços Repetitivos) mais comuns em trabalhadores de escritório, linhas de produção e serviços manuais.
Se o médico do trabalho ou o perito do INSS atestar que a tendinite foi causada ou agravada pelo seu serviço, você estará protegido pela lei como se tivesse sofrido um acidente de trabalho.
Posso ser demitido durante o tratamento?
Depende do tipo de demissão. Se for uma demissão por justa causa, a empresa precisa provar falta grave (art. 482 da CLT) — e estar doente não é falta grave. Tentar justificar a dispensa pela doença é considerado ilegal e pode gerar indenização.
Já a demissão sem justa causa, durante o tratamento, é mais arriscada para o empregador. Se você estiver afastado pelo INSS, a dispensa é nula. Se estiver trabalhando com restrições, a empresa pode alegar que não consegue adaptar o posto, mas precisa comprovar isso.
- Se você recebe auxílio-doença acidentário (B91): a demissão é proibida durante o afastamento e por 12 meses após o retorno.
- Se você está apenas com atestados médicos comuns (sem INSS): a empresa pode pedir demissão, mas você pode questionar na Justiça alegando discriminação.
- Se a empresa demitir e depois for comprovado nexo causal: você pode pedir reintegração ou indenização substitutiva.
O que fazer se a empresa te demitir com tendinite?
Primeiro, não assine nada sem ler com atenção. Guarde todos os atestados, exames, comunicações de acidente de trabalho (CAT) e comprovantes de afastamento. Procure imediatamente um advogado especializado.
Um bom profissional vai analisar se houve nexo causal, se o INSS já reconheceu a doença ocupacional e se a empresa descumpriu normas de segurança. Em muitos casos, a Justiça trabalhista obriga a reintegração ao emprego.
Se você está em Alagoas e precisa de orientação, busque um advogado trabalhista em Alagoas que conheça as particularidades dos tribunais regionais.
E se a empresa alegar que não tenho mais condições de trabalhar?
Esse é um argumento comum, mas frágil. A empresa não pode simplesmente decidir que você está incapacitado. Quem define a capacidade laboral é o médico do trabalho ou o perito do INSS. Se o profissional liberar você para voltar com restrições, a empresa deve adaptar o posto.
Se não houver adaptação possível, o próximo passo é a reabilitação profissional pelo INSS. Enquanto isso, o contrato de trabalho fica suspenso, e a demissão é vedada.
Horas extras podem agravar a tendinite?
Sim, e muito. A tendinite está diretamente relacionada à sobrecarga de movimentos repetitivos e à falta de pausas. Quando o empregador exige horas extras constantes, sem intervalos adequados, ele contribui para o agravamento da lesão.
Se você fez horas extras durante o período em que já tinha sintomas, isso pode ser usado como prova de que a empresa descumpriu normas de saúde ocupacional. A CLT prevê que o empregador deve garantir um ambiente de trabalho seguro.
- Anote todos os horários extras que você fez, mesmo os não registrados.
- Guarde mensagens, e-mails ou ordens verbais que comprovem a pressão por produção.
- Registre os momentos em que pediu pausa e foi negado.
Quais são os direitos trabalhistas de quem tem tendinite?
Além da estabilidade provisória, você pode ter direito a:
- Auxílio-doença acidentário (B91): pago pelo INSS com valor maior que o auxílio-doença comum.
- Fundação de Garantia (FGTS): a empresa continua depositando durante o afastamento.
- Indenização por danos morais e materiais: se a doença foi causada por negligência da empresa (falta de EPI, ausência de pausas, excesso de horas extras).
- Reintegração ao emprego: se a demissão ocorrer durante o período de estabilidade.
Como comprovar que a tendinite é ocupacional?
Você precisa de um laudo médico detalhado que cite as atividades profissionais como causa. Também é fundamental a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), que pode ser emitida pela empresa, pelo sindicato ou pelo médico.
Sem a CAT, o INSS pode não reconhecer o nexo. Se a empresa se recusar a emitir, procure o sindicato da sua categoria ou um advogado. Quanto mais cedo você formalizar, mais forte fica seu caso.
Conclusão prática: o que fazer agora?
Se você está com tendinite e teme uma demissão, o caminho é agir rápido. Busque atendimento médico, peça a CAT, registre todas as evidências e não aceite qualquer proposta de demissão sem antes consultar um advogado.
A lei brasileira protege o trabalhador que adoece por causa do trabalho. Mas essa proteção só funciona se você buscar seus direitos. Não deixe o medo te paralisar: informe-se, documente e, se necessário, lute na Justiça. Sua saúde e seu emprego valem esse esforço.
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